2026-07-15 10:39:54.0
Impactos da odisseia do homem nos mares e oceanos são tema de livro
"O meteoro aquático - O eterno retorno de Ulisses" é o segundo título de tetralogia sobre relação do homem com a natureza
Quais são os principais impactos atuais das atividades da espécie humana sobre os ambientes aquáticos? Esse é um dos pontos discutidos no livro "O meteoro aquático - O eterno retorno de Ulisses", do docente Marcelo Nivert Schlindwein, do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva (DEBE) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
O lançamento faz parte, juntamente com o livro "Meteoro Bípede: crônica sonora do silencioso massacre da biodiversidade" (2021), e outros dois títulos ainda inéditos, de uma tetralogia dos elementos (Terra - biodiversidade), (Água - mares e oceanos), (Ar - o sagrado e a natureza) e Fogo/Metal (tecnologia e ciência).
O uso da metáfora do meteoro (como causador de uma extinção em massa) - já utilizada no livro publicado anteriormente para ambientes essencialmente terrestres ("Meteoro bípede") -, é agora voltado para os ambientes aquáticos, local da origem da vida, mas também de todos os organismos complexos que hoje ainda habitam este planeta - que chamamos de Terra mesmo tendo mais de 70% da sua superfície coberta por mares e oceanos, explica o docente da UFSCar.
Nesta segunda obra da série, os mares e oceanos são discutidos tanto como barreira quanto como fronteira biogeográfica para a odisseia humana. O professor trata da relação dos humanos com os ambientes aquáticos sob uma perspectiva da ecologia histórica e da paleoantropologia.
O objetivo é, "a partir das relações humanas com mares e oceanos, discutir a grave crise ambiental e a perda de biodiversidade no Antropoceno e também alternativas para mudar essa relação, principalmente através de um novo entendimento da dicotomia natureza/cultura e da percepção que temos da biodiversidade e sua fundamental importância para a sobrevivência da nossa espécie", relata o autor.
O tema surgiu a partir de quase trinta anos de experiência de estudos e aulas de campo ministradas pelo autor em regiões costeiras, principalmente no Parque Estadual da Ilha do Cardoso (SP) e o contato nesse contexto com pescadores tradicionais. "O livro foi escrito quase na sua totalidade durante um pós-doutoramento realizado na Universidade Nova de Lisboa, sob supervisão da professora Mônica Mesquita, autora do prefácio do meteoro aquático".
A obra
Com 295 páginas, "O meteoro aquático - O eterno retorno de Ulisses" está organizada em duas partes. A primeira, com 22 capítulos/tópicos, foca a paleantropologia e a ecologia histórica. A segunda parte é composta por 13 capítulos/tópicos e aborda os principais impactos antropogênicos sobre mares e oceanos.
Lançamento
O livro está disponível tanto em formato físico quanto digital. "Primeiramente será lançado em formato físico em Portugal. Depois a ideia é também ter o lançamento e distribuição no Brasil a partir da divulgação da editora portuguesa Deste Lado do Mundo (DLT). O e-book deve também estar disponível no Brasil após o lançamento em Portugal", afirma o autor.
O lançamento será na Universidade Nova de Lisboa (FCT) - campus da Caparica, no dia 17 de julho, com a presença do autor. Confira a programação (https://bit.ly/4f1ii0G).
Mais informações sobre a publicação também estão disponíveis no site do DEBE/UFSCar (https://www.debe.ufscar.br/pt-br/news/livro-o-meteoro-aquatico-o-eterno-retorno-de-ulisses) e também diretamente com o autor, pelo e-mail mnivert@ufscar.br.
Série
O lançamento de "O meteoro aquático" vem na sequência de outra obra do autor - "Meteoro Bípede: crônica sonora do silencioso massacre da biodiversidade" (https://bit.ly/4wc3jHu) -, que discute a relação destrutiva da humanidade com a natureza, usando o som e a história evolutiva para retratar a perda de espécies.
O livro "Meteoro Bípede", de acordo com o pesquisador da UFSCar, foi escrito com o objetivo de instigar o leitor a refletir sobre os comportamentos contemporâneos e eventos históricos que afetam não somente a nossa espécie, mas também muito outras espécies na Terra:
"É um texto que pretende justificar o uso do termo 'meteoro bípede' e propor alguns caminhos que possam modificar esta condição de apenas um exterminador da biodiversidade e recuperar nossa intensa simbiose e empatia com a natureza, elemento fundamental da trajetória evolutiva do Homo sapiens. A questão do que nos faz humanos tem acompanhado nossos passos provavelmente desde que começamos a observar e classificar a natureza que nos cerca. O nome científico escolhido para a nossa espécie, Homo sapiens, revela o começo da resposta desta questão. Somos animais culturais e nossa necessidade de fazer perguntas está incluída no repertório comportamental de cada indivíduo humano. Nossa curiosidade inata, a compulsão de explorar, avaliar, quantificar e qualificar os locais, as coisas e os organismos que nos rodeiam foi tão importante para o nosso sucesso evolutivo quanto se alimentar e reproduzir. No fundo, nossos ancestrais só conseguiram fazer estes dois últimos comportamentos em razão destas capacidades cognitivas que definem a nossa espécie".
Sobre o autor
Marcelo Nivert Schlindwein é natural de Brusque (SC), mas com forte contato com o litoral, da Tijucas de sua avó materna, ao Perequê, no município de Porto Belo (SC), onde teve início sua relação visceral com o mar. Fez graduação em Ciências Biológicas na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), morando por alguns anos entre os "Manezinhos da Ilha" da Lagoa da Conceição e do Ribeirão da Ilha, criando uma alquimia da beira d’água que nunca mais seria abandonada.
Cursou o mestrado e doutorado em Zoologia, na Universidade Estadual Paulista (Unesp) - campus de Rio Claro, onde o 'mar de cana' calcificou uma saudade pétrea do sal marinho respirado ao entardecer.
Através do curso de formação de professores (curso Parceladas da Universidade do Estado de Mato Grosso - Unemat), pôde conhecer as praias de rio do Araguaia, as águas turvas do Bugres e do Paraguai, onde teve contato com várias etnias indígenas, como os Karajá e os Tapirapé.
Participou de dois cursos de agronomia para assentados da reforma agrária do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera) do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em parceria com a UFSCar, participando de projetos que envolviam a realidade dos assentamentos e diversidade cultural de populações tradicionais, como quilombolas. Durante quase duas décadas fez viagens de campo ao Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PESC), em Cananeia (SP), onde pôde conviver com a cultura caiçara e com a biodiversidade da Mata Atlântica. Ministrou várias disciplinas na graduação e na pós-graduação, na área de zoologia, ecologia, biogeografia, evolução e etnoecologia. Nessa última mergulhou nas cosmologias e cosmogonias das populações tradicionais, fato determinante para o modo como passou a encarar a relação da nossa sociedade tecnocrática atual com o ambiente.
É autor dos livros "Fundamentos de Ecologia para o Turismo" (2009); "Homo artifex: como a arte nos tornou verdadeiramente humanos" (em coautoria com Carolina Santa Isabel Nascimento, 2024); "Meio Ambiente, Ecologia e o Golpe de 2016" (2022); e "Meteoro Bípede: crônica sonora do silencioso massacre da biodiversidade" (2021), primeira obra da tetralogia, que está agora em seu segundo volume, "O meteoro aquático".
Contato para esta matéria:
Denise Britto Telefone: (16) 997977241
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