2026-06-15 10:38:21.0
Monitoramento do teletrabalho é tema de pesquisa da UFSCar em parceria com instituição francesa
Estudo convida voluntários de todo o país para participarem do projeto de forma remota
Compreender como a implementação de sistemas de vigilância e monitoramento do teletrabalho transforma a atividade de trabalho e quais são as repercussões dessa dinâmica para a saúde e o bem-estar dos trabalhadores. Esse é o objetivo central de uma pesquisa de doutorado desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção (PPGEP) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), em parceria com a Universidade Paris 8, na França. O projeto convida pessoas que atuam, ou já atuaram, com teletrabalho (remoto ou híbrido) para participarem da pesquisa por meio de entrevistas e questionários eletrônicos.
O estudo é conduzido pelo doutorando Giovane Ziotti, sob orientação de Daniel Braatz, docente do Departamento de Engenharia de Produção da UFSCar, e coorientação de Sandra Gemma, professora da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp. De acordo com Ziotti, as formas de monitoramento do teletrabalho passaram por uma expansão acentuada durante o período da pandemia de Covid-19. "Estudar a implementação desses dispositivos, bem como a repercussão deles na atividade de trabalho, é importante para compreender os fatores psicossociais do teletrabalho em suas morfologias contemporâneas", complementa o pesquisador.
Ziotti conta que softwares que simulam presença como ponto eletrônico, salas de reunião online, e também os de vigilância, que monitoram as interações dos trabalhadores com os dispositivos e geram relatórios de produtividade para a gestão, já são realidade em mais de 60 países. "Esses dispositivos contabilizam cliques, fazem gravação da tela, quantificam o tempo passado em cada aplicativo, alguns podem até acessar a câmera frontal dos dispositivos. Inclusive, há casos reais de empresas que demitiram funcionários sob a justificativa de baixo desempenho demonstrado pelos relatórios de softwares de vigilância", relata o doutorando da UFSCar.
O pesquisador aponta que vários estudos já demonstraram alguns impactos do teletrabalho na vida dos profissionais, tais como: indistinções da vida pessoal com a vida profissional ao trabalhar em casa e as percepções de melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores por fatores externos à atividade de trabalho, como estar menos exposto à violência urbana; evitar os inconvenientes de longos traslados por transporte público; e a possibilidade de habitar lugares mais acessíveis. Para além disso, Ziotti aponta que outros estudos nas áreas de Engenharia do Trabalho, Ergonomia da Atividade, Psicodinâmica do Trabalho, dentre outras, evidenciam que a forma através da qual o trabalho é organizado repercute na atividade de trabalho, na relação dos trabalhadores com o próprio trabalho, nas dinâmicas de sofrimento e prazer no trabalho, e nos acometimentos, acidentes e adoecimentos laborais. "Pretendemos discutir como a organização do teletrabalho, caracterizada pela implementação de softwares de vigilância para controle, repercute nesses fatores", acrescenta.
O projeto é conduzido em parceria com o Laboratório Paragraphe da Universidade Paris 8 e tem financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Giovane Ziotti está em fase de internacionalização na França e parte da sua tese também prevê uma discussão sobre legislação trabalhista francesa e brasileira sobre o teletrabalho.
Voluntários
Para realizar a pesquisa, são convidadas pessoas que atuem, ou já atuaram, como trabalhadores e gestores em regime de teletrabalho (integral ou híbrido), de qualquer região do Brasil. Os participantes serão convidados para preencherem formulários específicos e para entrevista online. As pessoas interessadas em contribuir com a pesquisa podem preencher este formulário inicial (https://forms.gle/xL1wU8WstfQtZuqH9).
Projeto aprovado pelo Comitê de Ética da UFSCar (CAAE: 93566825.6.0000.5504).
Contato para esta matéria:
Gisele Bicaletto Telefone: (16) 33066595
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